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A História da nossa escola

 

Foi em 1972 que a Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão anunciou, no seu relatório, a criação de um Ciclo Preparatório.

A ideia que já andava no ar, era desejo de todos os habitantes do concelho.

O ensino preparatório era, então, ministrado através de um posto de telescola.

Feitas todas as diligências, pelo então Presidente da Câmara, sr. Dr. Abel Carmona, este desejo só começou a tornar-se realidade, em 1973, após uma reunião de trabalho com o sr. Governador Civil do distrito, em 15 de Maio do referido ano.

O sr. Governador Civil informou que havia dificuldades por parte do Ministério, por não haver verbas, nem professores disponíveis, para um arranque imediato.

Estava presente nessa reunião de trabalho o sr. Eng. Luís Martins, Director e Administrador da Celulose do Tejo que, logo ali, prometeu que a empresa daria aos seus funcionários diplomados, se fosse necessário, licença para lecionarem, mesmo dentro das horas de serviço.

Quanto a instalações, continuou o sr. Eng. Luís Martins, a Celulose acabaria de construir, por sua conta o edifício da Sociedade Recreativa do Porto do Tejo e faria as adaptações necessárias para que, num primeiro andar, começasse a funcionar, provisoriamente, o Ciclo Preparatório, ficando o rés-do-chão para actividades dos sócios. Isto seria a título provisório, pois logo ali foi pedido ao Presidente da Câmara que estudasse o lugar onde se iria construir o futuro Ciclo com instalações adequadas e definitivas.

Perante esta atitude decidida e generosa, o sr. Governador Civil prometeu falar brevemente com o sr. Ministro da Educação e enviar [sic] esforços para que fosse o próprio Ministro, na visita que faria ao distrito nos dias 5 e 6 de Junho, a anunciar a criação do Ciclo Preparatório, em V. V. de Ródão e o seu funcionamento a partir de Outubro próximo.

Após o anúncio da criação do Ciclo Preparatório, feito pelo sr. Ministro da Educação, começaram as dificuldades no respeitante a instalações. Parte da população do Porto do Tejo não viu com bons olhos que o Ciclo se instalasse por cima da Sociedade Recreativa, embora provisoriamente.

Perante as dificuldades o tempo foi passando. Estava-se em fins de Setembro. O sr. Eng. Luís acabava de regressar de uma longa convalescença de um grave acidente ocorrido na fábrica. Ao chegar, deparou-se com tantas dificuldades que prometeu construir um edifício novo, embora provisório, em local a indicar pela Câmara. Esta sugeriu o largo da Feira do Gado.

Entretanto foi nomeado Director do Ciclo o sr Dr Vinagre (presentemente já falecido) que chegou a V. V. de Ródão, no dia 1 de Outubro.

De instalações, ainda nada existia. Era preciso fazer matrículas. E onde?

Tudo se começou a resolver com o esforço de todos.

No dia 3 do mesmo mês, a Celulose mobilizou todos os seus operários da construção civil para o referido largo. Começaram as obras, enquanto as matrículas se faziam numa sala cedida pela Câmara.

Oito dias depois, foram chamados os alunos do 2º ano e dias depois vieram os do 1º ano.

Não foi difícil contratar professores e contínuas.

As aulas começaram no meio do barulho das máquinas, sem o mínimo de condições. Mobiliário, pouco existia. Mas existia uma grande vontade de criar condições de trabalho. Daí que, nos recreios, todos trabalhavam – operários, professores e alunos.

Vinte dias depois estavam criadas condições de trabalho e o Ciclo funcionava normalmente.

A título de curiosidade, referimos que as instalações custaram à Celulose, cerca de 600 mil escudos.

 

Um Antigo Professor

Rodense, nº 1 – Maio 1984

CONTINUA...